A câmera que a mina já tem serve para contar a produção?
O que uma câmera de segurança precisa ter para virar contador de cargas, como conferir isso em dez minutos e o que fazer quando ela não serve.
· 3 min de leitura · Equipe TerraCore
Quase toda mina tem câmera. Foi instalada para segurança, para ver quem entra e sai, para olhar a pilha de noite. A pergunta que a gente mais recebe é se essa mesma câmera serve para contar a produção.
Na maioria das vezes, sim. Mas depende de três coisas que dá para conferir em dez minutos, sem chamar ninguém.
O que a câmera precisa ver
Para contar cargas, o sistema precisa enxergar o momento em que a pá despeja na caçamba do caminhão. Não precisa ver a frente inteira, nem o caminhão indo embora, nem a planta. Só o ponto de despejo.
Então a primeira pergunta é: existe uma câmera cujo quadro inclui o lugar onde a pá despeja? Se a pá sempre carrega no mesmo canto, ótimo. Se o ponto de carga muda a cada semana, precisa de uma câmera que cubra a área toda ou que possa ser reposicionada.
As três coisas para conferir
1. Enquadramento. Abra a imagem da câmera no NVR ou no aplicativo e olhe. A pá e o caminhão aparecem inteiros no momento do despejo? Nem muito longe, a ponto de virarem um borrão, nem tão perto que saiam do quadro quando a pá levanta a concha. Uma regra prática: se você consegue contar as cargas olhando a gravação, o sistema também consegue.
2. Noite. Volte a gravação para o turno da noite e olhe de novo. É aqui que a maioria das câmeras falha. O farol da pá vira uma mancha branca, o resto fica escuro. Às vezes a câmera tem modo noturno e ninguém ativou. Às vezes falta um refletor apontado para o ponto de despejo. Nos dois casos a solução é barata, mas precisa ser feita antes de começar.
3. Estabilidade. A câmera fica parada ou é uma câmera móvel que o vigia gira à noite? Câmera móvel funciona, desde que volte para a mesma posição. Se ela fica rodando entre vários pontos, a contagem fica cheia de buracos. A solução costuma ser deixar uma posição fixa para o contador e usar outra câmera para a ronda.
O que não importa tanto
Algumas coisas que as pessoas acham que importam e não importam:
- Resolução altíssima. Uma câmera comum de 2 megapixels resolve. Mais do que isso ajuda pouco e pesa no computador.
- Marca. Qualquer câmera que entregue vídeo pelo padrão comum de rede serve. Praticamente todas as instaladas nos últimos dez anos entregam.
- Internet boa. O computador que conta fica na mina, ligado direto no gravador ou na câmera. A internet só manda o resultado para o celular.
Quando a câmera não serve
Acontece. Os casos mais comuns:
- A câmera está num mastro longe, instalada para ver o pátio, e a frente de lavra fica fora do quadro. Solução: uma câmera fixa nova apontada para o ponto de despejo. É a parte mais barata da instalação.
- A frente muda de lugar toda semana e nenhuma câmera fixa acompanha. Solução: câmera num ponto alto que cubra a área toda, ou uma câmera móvel com posição definida para cada frente.
- Não tem energia perto. Solução: painel solar com bateria para a câmera e transmissão sem fio até o gravador. Funciona, mas precisa de dimensionamento.
Em nenhum desses casos o problema é o sistema de contagem. É só uma câmera no lugar certo.
O que acontece na visita
Quando a gente vai até a mina, é exatamente isso que a gente confere: enquadramento, noite, estabilidade e energia. Você sai da visita sabendo se a câmera atual serve, e se não serve, o que exatamente falta. Não tem surpresa depois.
A partir daí, a instalação do computador leva um dia, e o sistema é ajustado com vídeos da sua própria operação antes de começar a contar de verdade.
Se quiser entender o que acontece depois que a câmera está no lugar, leia como a visão computacional conta as cargas. E na página inicial tem o passo a passo da instalação.
