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Quanto custa uma hora de pá carregadeira (e quanto custa ela parada)

Como calcular o custo horário da sua pá carregadeira com os seus números, o que a referência pública do SINAPI diz, e por que a hora parada é a mais cara de todas.

· 5 min de leitura · Equipe TerraCore

Pergunte para qualquer dono de mina pequena quanto custa uma hora da pá carregadeira dele. A resposta costuma ser o valor do aluguel, se a máquina é alugada, ou um chute, se é própria. E quase nunca inclui a conta que mais importa: quanto custa a hora em que ela fica parada.

Este texto mostra como montar o custo horário com os seus números, o que a referência pública diz, e o que fazer com o resultado.

As cinco parcelas do custo horário

O custo de uma hora de pá carregadeira própria se divide em cinco partes. Para cada uma, o jeito de calcular:

1. Depreciação. O valor da máquina menos o que você espera vender no fim, dividido pelas horas que ela vai trabalhar na sua mão. Uma pá de R$ 600 mil que vai valer R$ 150 mil depois de 10 mil horas deprecia R$ 45 por hora.

2. Juros (ou custo de oportunidade). O dinheiro parado na máquina renderia algo se estivesse aplicado. A referência pública usa uma taxa anual sobre o valor médio da máquina, dividida pelas horas por ano.

3. Manutenção. Peças, pneus, mão de obra de oficina, lubrificantes. Em máquina usada essa parcela passa a depreciação. Some o que gastou nos últimos 12 meses e divida pelas horas do horímetro no mesmo período.

4. Combustível. Litros por hora vezes o preço do diesel. A medida mais confiável é o abastecimento: litros colocados dividido pelas horas rodadas entre um abastecimento e outro.

5. Operador. Salário mais encargos, dividido pelas horas efetivamente trabalhadas no mês, não pelas horas contratadas.

Some as cinco e você tem o custo da hora produtiva.

O que a referência pública diz

O SINAPI, a tabela de referência da Caixa usada em obra pública, publica composições de custo horário por tipo de máquina. Para uma pá carregadeira sobre rodas de 128 HP, a base de maio de 2026 traz, por hora produtiva, cerca de R$ 38 de depreciação, R$ 10 de juros, R$ 48 de manutenção, R$ 37 de operador e R$ 53 de materiais de operação, basicamente diesel. Somando, algo em torno de R$ 185 por hora. Os valores estão na composição 5940 e na composição 53858, e mudam a cada mês e por estado, então confira a sua.

Para uma pá maior, de 197 HP, a mesma fonte sobe a depreciação para cerca de R$ 53 e os materiais de operação para R$ 81 por hora (composição 5944).

Esses números são de referência, não da sua máquina. Numa mina, com piso ruim e material abrasivo, a manutenção costuma ser mais alta. Use a tabela como ponto de partida e substitua pelos seus números assim que tiver.

A hora parada custa quase igual

Aqui está o ponto que a maioria das contas ignora. Quando a pá para esperando caminhão, você deixa de gastar o diesel. Todo o resto continua: depreciação por tempo, juros, operador na folha. E o custo indireto é maior: caminhão esperando, planta esperando ou rodando vazia.

Um exemplo simples, com os números de referência acima. Pá de 128 HP, 15 cargas por hora quando trabalha. Se ela fica 40 minutos parados por turno, em dois turnos, são 20 cargas que não aconteceram por dia. Em 25 dias, 500 cargas. É como ter perdido mais de dois dias inteiros de produção no mês, sem nenhum dia de chuva, sem nenhuma quebra registrada.

Esse número não aparece em nenhum relatório porque a pá "não quebrou". Só esperou.

Por que ninguém anota a hora parada

Porque o momento em que a pá para é o momento em que todo mundo está ocupado resolvendo o motivo. O operador está no rádio chamando caminhão. O encarregado está vendo o que houve com o desmonte. Ninguém pega o caderno para escrever "parada às 14h12".

E quando o turno acaba e alguém tenta lembrar, a memória diz "parou um pouco". Um pouco vira zero na planilha.

Como medir sem cronômetro

A mesma câmera que registra as cargas sabe quando elas param de acontecer. Se a última carga foi às 14h12 e já são 14h37, o sistema manda um aviso para o celular do encarregado: pá parada há 25 minutos.

Três coisas acontecem a partir daí:

  • A reação vem antes. Em vez de descobrir no fim do turno que a pá ficou uma hora esperando caminhão, o encarregado sabe aos 25 minutos e faz alguma coisa.
  • O tempo parado passa a existir. Cada parada fica registrada com início e fim. No fim do mês, é um número, não um chute. Multiplique pelo seu custo horário e você sabe quanto a espera custou.
  • O motivo fica mais fácil de achar. Com a hora exata, dá para cruzar com o que estava acontecendo: caminhão em manutenção, troca de frente, almoço estendido.

Para quem vai o aviso

Se o aviso de pá parada vai só para o dono, vira cobrança. Se vai para o encarregado do turno, vira ação. O arranjo que funciona: encarregado recebe os avisos de operação, dono recebe o resumo do dia. Se o encarregado resolveu a parada, o dono vê no resumo que houve uma parada de 28 minutos às 14h e que depois disso a produção voltou.

Quem liga os avisos pela primeira vez costuma se surpreender com duas coisas: a quantidade de paradas curtas, de 10 a 20 minutos, que ninguém considerava parada, e o fato de boa parte delas ter o mesmo motivo. Um caminhão a mais no horário de pico, uma frente preparada antes, um almoço escalonado. Nada disso exige investimento. Exige saber que está acontecendo.

Os avisos fazem parte do mesmo sistema que registra as viagens pela câmera. Se quiser ver os outros números que valem a pena acompanhar na pá, leia produtividade da pá carregadeira.

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