Controle de produção em mina pequena, do caderno ao celular
O que um controle de produção precisa responder numa mina pequena ou média, e como sair da planilha sem contratar uma equipe de TI.
· 4 min de leitura · Equipe TerraCore
Controle de produção, numa mina grande, é um departamento. Numa mina pequena, é o dono olhando a planilha no domingo à noite tentando entender por que o mês rendeu menos do que a quantidade de diesel sugere.
Este texto é para o segundo caso. Ele não fala de software de despacho nem de sistema integrado. Fala do mínimo que um controle de produção precisa responder e de como chegar lá sem complicar a operação.
As quatro perguntas que o controle precisa responder
Antes de pensar em ferramenta, vale escrever o que você quer saber. Na maioria das minas pequenas são estas:
- Quanto foi produzido hoje? Em cargas, viagens ou toneladas, mas com um número confiável no fim do turno, não no fim da semana.
- De onde veio? Qual frente de lavra, e quanto disso era minério e quanto era estéril.
- Quando a produção caiu? Em que hora do dia, em qual turno, com qual máquina.
- O que foi feito a respeito? Se a pá ficou parada, alguém soube na hora ou só depois?
Se o seu controle atual responde as quatro, ótimo. Se responde só a primeira, e com atraso, o resto deste texto é para você.
Por que a planilha não dá conta
A planilha é um ótimo lugar para guardar números. O problema é a origem deles. Quando a fonte é a anotação do operador, a planilha herda tudo que a anotação tem de incerto: cargas esquecidas na troca de turno, totais arredondados, dias em que o caderno molhou.
Tem outro problema, mais sutil. A planilha chega atrasada. Quando você descobre que terça-feira rendeu 30% a menos, já é quinta. A causa, que podia ser uma pá parada esperando caminhão, já virou história.
O que muda quando a contagem é automática
A diferença entre um controle de produção que funciona e um que só existe é a fonte do dado. Quando a carga é registrada no momento em que acontece, sem passar por ninguém, três coisas mudam:
O número vira prova. Cada carga tem hora e um trecho de vídeo. Discussão sobre o total acaba em dois minutos, abrindo o clipe.
O atraso some. O painel no celular mostra o dia em andamento. Você vê a produção da manhã na hora do almoço, não no dia seguinte.
A causa aparece junto com o efeito. Se a produção caiu às 14h, o gráfico por hora mostra. Se a pá ficou parada 40 minutos, o aviso chegou às 14h25, não no relatório mensal.
Minério e estéril entram na conta
Um controle de produção que só conta cargas conta tudo igual: a carga de minério que vai para a planta e a carga de estéril que vai para a pilha. No fim do mês, o total de cargas pode ser bom e o resultado, ruim.
Por isso a separação entre minério e estéril precisa fazer parte do controle. O jeito mais simples que a gente encontrou foi um botão na pá. O operador aperta minério ou estéril ao carregar, e o sistema junta essa informação com a frente onde a máquina está. No painel, cada frente mostra quanto rendeu de cada coisa. Fica evidente qual frente vale a pena e qual está só gastando diesel.
Como montar isso sem equipe de TI
A boa notícia é que o controle de produção por câmera não exige servidor, licença por usuário nem alguém de TI na mina. O que precisa:
- Uma câmera que veja o ponto onde a pá despeja. Na maioria das minas ela já existe, instalada para segurança.
- Um computador pequeno dentro da mina, que faz a contagem localmente. O vídeo não sai da mina.
- Internet fraca serve. O computador conta sozinho e manda o resultado para o celular quando consegue. Se a conexão cair, ele guarda e envia depois.
A instalação leva um dia. Depois disso, o sistema é ajustado com vídeos da própria operação, e a equipe confere uma hora de produção junto com a contagem antes de começar a usar de verdade.
Um controle que o encarregado também usa
Um detalhe que faz diferença: o controle de produção não pode ser coisa só do escritório. Se o encarregado do turno vê a contagem no celular dele, ele percebe a pá parada antes do dono e resolve. O dono recebe o resumo do dia já com o problema tratado.
É isso que a gente chama de monitoramento inteligente: o dado chega para quem pode agir, na hora em que ainda dá para agir. Se quiser ver como funciona na prática, a página inicial mostra o passo a passo.
