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Roubo e desvio de minério, como saber quantas viagens saíram da mina de verdade

Onde o minério costuma sumir na mina pequena, por que o controle manual não pega e o que muda quando cada carga tem hora e vídeo.

· 4 min de leitura · Equipe TerraCore

Desvio de minério não costuma acontecer com caminhão saindo pelo portão de madrugada. Costuma acontecer em pequenas diferenças entre o que foi carregado e o que foi registrado, dia após dia, até que no fim do mês falta uma parte da produção e ninguém sabe onde ficou.

Este texto é sobre essas diferenças: onde elas aparecem, por que o controle manual não enxerga e o que muda quando cada carga tem hora e vídeo.

Onde o minério some

Em mina pequena, os pontos mais comuns:

Entre a frente e a planta. O caminhão carrega na frente, mas nem todas as viagens chegam no mesmo lugar. Uma viagem a mais para uma pilha "pulmão" que ninguém confere, e o material some do registro sem sair da mina.

Na anotação. O caderno diz 38 viagens. Foram 42. As quatro de diferença não existem para o dono, mas existiram para quem carregou e para quem recebeu.

No turno sem supervisão. À noite ou no fim de semana, quando o único registro é a palavra de quem estava lá.

Na expedição. Caminhão que sai carregado e volta "vazio" sem ter passado onde deveria. Este é o caso que a balança e o ticket de pesagem resolvem, e é o mais raro.

No material errado. Minério registrado como estéril vai para a pilha errada. Pode ser erro, pode ser outra coisa. Sem registro por carga, não dá para saber.

Por que o controle manual não pega

Porque o controle manual é feito pelas mesmas pessoas que estão na operação. Não é acusação: é desenho. Se quem carrega é quem anota, qualquer diferença entre carregado e anotado depende da memória e da boa fé dessa pessoa. E quando a diferença aparece no fim do mês, não dá para voltar e conferir viagem por viagem.

O dono fica numa posição ruim. Ou aceita o número, ou desconfia sem prova. As duas opções desgastam a equipe, inclusive quem não tem nada a ver com o desvio.

O que muda quando a carga tem vídeo

Quando o registro é feito pela câmera, no momento em que a pá despeja, três coisas mudam.

O registro deixa de depender de pessoa. A carga existe porque a câmera viu, não porque alguém anotou. O número de cargas do dia é o mesmo para o dono, para o encarregado e para o operador.

Cada carga tem prova. Hora exata e um trecho de vídeo de alguns segundos. Se a planta recebeu 38 viagens e a frente carregou 42, dá para abrir os clipes das quatro que faltam e ver para onde o caminhão foi.

A origem e o material ficam registrados. Com um botão na pá para minério e estéril e a posição da máquina, cada carga tem frente e tipo. Minério que vira estéril no caminho aparece na comparação.

A câmera olha para o ponto de despejo, não para o operador. O que fica registrado é a carga.

Cruzar frente e planta

O controle mais simples e mais eficaz contra desvio é comparar dois números que vêm de fontes diferentes: o que saiu da frente e o que chegou no destino.

Dia Cargas na frente (câmera) Viagens na planta Diferença
Segunda 160 40 viagens (160 cargas) 0
Terça 168 40 viagens (160 cargas) 8 cargas
Quarta 152 38 viagens (152 cargas) 0

A terça pede uma olhada. Pode ter sido uma viagem para a pilha pulmão combinada e não registrada. Pode não ter sido. A diferença é que agora a pergunta é específica, com hora, e tem vídeo.

O efeito que aparece antes de qualquer flagrante

Quem passa a registrar por câmera costuma notar uma coisa nas primeiras semanas: a diferença entre frente e planta diminui sozinha, sem ninguém ser pego. O registro existir já muda o comportamento. E o dono para de desconfiar de quem não merece, porque agora tem o número.

Se a sua preocupação é o portão, balança e ticket de pesagem resolvem, e a gente fala disso em balança rodoviária para mina pequena. Se a preocupação é o caminho entre a frente e a planta, o que falta é registro na frente. Na página inicial mostramos como o registro por carga funciona.

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